segunda-feira, 14 de novembro de 2011

É bom ter um amigo de volta

As sensações são diferentes. No antes, uma ansiedade por como vai ser a despedida, por como vai ser ficar longe do amigo, qual vai ser a reação do grupo. No durante, parece que nada mudou. Sinceramente, as primeiras semanas são as piores. Depois, é como se a pessoa se acostumasse a estar longe de um dos seus melhores amigos. Ledo engano. É quando ele chega que se percebe a falta que ele fazia, a falta que ele fazia ao grupo, que fazia à rotina.

Garanto que a maioria dos leitores já teve uma situação em suas vidas que algum amigo de longa data tenha se mudado, por um tempo ou definitivamente, para uma cidade longe. Aí, surgem aquelas grandes inverdades: “O que o amor construiu a distância não destrói” ou “Quem falou que para estar junto é preciso estar perto”. Besteira. A amizade é um sentimento que se renova a cada dia. Claro, não é só pessoalmente que isso pode acontecer. Computador, telefones e meios de comunicação em geral podem ajudar nesse processo. Mas nada é melhor do que o retorno da convivência.

Um grande amigo voltou para Porto Alegre esses dias, o que me motivou a tentar explorar esse assunto por aqui. Era algo que, sem que eu percebesse, faltava no dia a dia. Alguém que junta, alguém que soma. Só nesses quatro dias dele na cidade, já reuniu a galera de fé duas vezes. E vai continuar o fazendo.

O mais intrigante é o durante. Enquanto ficamos longe dos nossos amigos, sentimos a costumeira saudade, evidente. Mas a vida não para, não parece que há algo errado, que há algo faltando. Acho curioso que só percebemos o quanto tínhamos saudade quando o viajante retorna à terra natal. O processo se inverte e sentimos o passado. É se olharmos para trás que veremos as lacunas.

Mas é no presente que nos damos conta da importância dos amigos, e como eles mexem na nossa vida. É no presente que ficamos felizes com seus retornos, com suas presenças próximas de fato, com a possibilidade de se ter uma conversa franca ou simplesmente ir tomar uma cerveja. Que bom saber que eles vão, mas eles voltam.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Nostalgia: Doug

O Cotidianunca abre as portas para um dos desenhos mais simples e sensacionais da história!

A Capela do vídeo também é bem irada...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Quando o futuro torna-se presente


Você já parou para pensar que a ansiedade do passado em conhecer o desconhecido, denominado futuro, é algo que ficou no passado? A pergunta é extremamente confusa e até mesmo um pouco prolixa. Não consegui colocar em uma frase o resumo do que falarei nas linhas que se seguirão. De qualquer forma, pense comigo.

Tudo começou com a evolução da comunicação pessoal. Cartas e pombos correios foram substituídos pelas primeiras versões do telefone. A popularização do aparelho trouxe consigo algumas mudanças e, algumas décadas atrás, foi criado o primeiro telefone celular. Imagine a complexidade daquele objeto para a população mundial leiga. Como você poderia se comunicar sem fios, sem um sistema integrado? Bastava digitar o número e ligar. O sinal era transmitido via satélite e, assim, já era possível conversar com outro indivíduo, sentado em um banco de praça.

Paralelo a isso, os meios de comunicação também evoluem. Como entender o que era uma televisão em meados do século XX? Todos estavam acostumados a apenas imaginar as imagens descritas em rádios e livros. Isso não seria mais necessário. Você poderia, praticamente, assistir aos seus pensamentos. Algum tempo depois, as pessoas poderiam fazê-lo de forma colorida. Como? Como?

Computador. Quer algo mais bizarro e completamente inacreditável do que um computador? Por mais complexo que fosse no início, esse aparelho, com o passar do tempo, suga as funções de todas as formas de comunicação conhecidas até então. Uma tela, um teclado e um mouse, capazes de colocar qualquer pessoa em contato com o resto do mundo. Claro que existe toda uma evolução, e grandes marcos representando essa evolução. O que era a velocidade e o alcance da internet na época em que a mesma era executada paralela às linhas telefônicas? Com certeza os bebês nascidos no século XXI enxergarão a internet discada da mesma forma que enxergamos as máquinas de escrever. Quais eram as ferramentas de busca antes do Google? Como se dava a reprodução de vídeos online antes do Youtube? Os chats antes do MSN? As redes sociais antes de Orkut e Facebook?

Não sei se você percebeu, mas podemos fazer o que quisermos ao tocarmos os nossos dedos em uma tela. E não precisamos estar em um local específico para isso. Pode ser em ônibus, praças, casas, de qualquer lugar do mundo! Agora podemos voltar para a pergunta confusa inicial. Chegamos ao limite. Estamos vivendo o futuro, tão insistentemente citado há alguns anos atrás. Se você não concorda, complete a frase: “No futuro teremos...”. E existe algo que ainda não foi criado?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Desligue o computador e vá ler um livro - de preferência, comprado na Feira





Quando a maioria bocejava, olhava o relógio e se virava na cama para iniciar o segundo tempo do sono matinal de sábado, eu acordava. Claro, isso não é nenhuma crítica àqueles que dormem até tarde, é só para dizer que acordei cedo. Tomei banho e me preparei para ir com a minha namorada para a Feira do Livro, no centro de Porto Alegre. Chegamos lá ainda antes das barracas se abrirem, o que de certa forma foi bom, pois aproveitamos para ir na exposição da 8ª Bienal no Santander Cultural.

Curtir o Centro é uma das coisas mais prazerosas que um porto-alegrense pode ter. Ter a possibilidade de conviver com uma das áreas mais históricas da cidade em eventos culturais é um alento. Primeiro porque valoriza o local. Segundo, porque em um mundo em que cada vez menos texto é o caminho, frases curtas e conteúdo parco, uma mobilização que envolve milhares de pessoas por apenas um objetivo - o livro - é louvável.

Caminhar pela Praça da Alfândega lotada dá gosto. Ainda que o bairro não seja cuidado do modo que merece, é um belo programa a se fazer. Há bons lugares para se almoçar por lá, e as bancas estão à espera. Isso não nos faz esquecer que a prefeitura poderia investir um pouco mais em limpeza, iluminação e outros ganhos para o local, mas nos faz pensar em como aquilo seria lindo melhor arrumado.

Havia pessoas diferentes, idades diferentes, rendas diferentes. Todos lá, no entanto, atrás de um artigo que enriquece o ser humano: todos atrás de livros. Com R$ 64, levei para casa mais três livros. A Ágatha empacotou 4 por R$ 70. Um investimento, com certeza. O tempo ocioso que as tais redes sociais nos fazem ficarmos em frente ao computador poderia ser utilizado muito bem para acabar alguns volumes(esse texto trata de certa forma sobre isso http://edition.cnn.com/2011/10/30/opinion/greene-smart-phone-addiction/index.html). Vocabulário, estilo de escrita, informações, ideologias ou um lazer produtivo.. Tudo isso pode ser considerado ganho.

Por isso, peço do fundo do coração que depois de passar pelo ponto final deste texto, por pior que você possa ter achado ele, vá até sua estante, desligue o seu notebook e leia um pouco. Molhe o dedo com baba para passar as páginas, sinta a capa em relevo do livro. Pegue aquele livro que você não conseguiu acabar e recomece-o. Pelo bem da Feira do Livro e pelo bem do Centro.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

E a superação?


Há pouco mais de um ano atrás, eu assistia aos jogos acreditando, até o último segundo de jogo, que dava para ganhar. Acabei me acostumando com as fortes emoções dos jogos do Inter. A crença na superação do time ganhou força naquela emblemática partida, válida pelas quartas de final da Copa Libertadores da América.

Em vinte minutos de bola rolando, 2 a 0 para o time adversário. Comandados pelo veterano Véron, os argentinos do Estudiantes de La Plata massacravam a equipe gaúcha. A torcida castelhana comemorava o êxito de seus guerreiros quando, de repente, em meio a muita fumaça (resultante dos fogos de artifício), eis que surge um garoto de dezenove anos. Giuliano chuta cruzado, garantido a vaga colorada para as semifinais da competição mais importante das Américas.

E foi assim até o final. Vitória sofrida em Porto Alegre, contra os galáticos do São Paulo. Classificação garantida na capital paulista em um lance de sorte, em que o ídolo D’alessandro cobra a falta, a bola bate no calcanhar do contestado Alecsandro, e entra. Na decisão, virada no México e em Porto Alegre. Superação e surgimento daquele, considerado por muitos jornalistas, como o melhor centroavante do Brasil. Leandro Damião arranca em velocidade, arrancando berros da torcida. Inter campeão da Libertadores 2010.

Como se lembrar dessa extraordinária conquista, depois do que foi visto ontem? Também não se pode colocar a culpa em apenas um jogo. Quanto a isso, a equipe já se encarregou de protagonizar outros vexames ao longo do ano. Grenal apático. Tudo bem.
Foi logo após a conquista da Recopa. A torcida perdoou e estava pronta para ver o time reagindo no Campeonato Brasileiro. A primeira grande bomba do ano, sem levar em consideração os desastrosos empates com Bahia e Atlético Goianiense, além da humilhante derrota para o Ceará, foi o jogo contra o Santos. Algum lunático ousaria dizer que, aos trinta minutos do segundo tempo, vencendo por 3 a 0, Beira Rio com um público razoável, o Inter conseguiria ceder o empate ao glorioso alvinegro praiano? Pois é. Aconteceu. Festa brutalmente interrompida. Em dez minutos, três gols.
Ás vezes, é melhor perder de uma vez, jogando mal. Assim, a torcida não cria expectativas e ilusões. Ao longo dos últimos jogos, aconteceu o oposto. Jogos bons contra Ceará, Figueirense e Coritiba. Jogos excelentes contra São Paulo e Corinthians. Gols perdidos de forma inacreditável. Chances reais de engrenagem na competição desperdiçadas de forma displicente. E será que foi displicência?

Ontem, tive que me fazer essa pergunta. Esse ano, mais do que nos outros, voltei completamente desapontado de grande parte dos jogos. A sensação de quase é muito pior do que a sensação de péssima atuação. E foram muitos “quases”. O grande problema, é que esse tipo de sentimento nos leva a acreditar no “dessa vez vai”. Não foi. Um Inter agressivo no início, simplesmente desistiu no final. Mesmo com o Beira Rio lotado, com a torcida cantando incessantemente, com a superioridade inicial. O Internacional assistiu ao time do Fluminense tocar a bola de um lado para o outro, durante quarenta e cinco minutos.

Os protagonistas da partida estão acostumados a jogar no estádio colorado. Edinho, Rafael Sóbis e Abel Braga foram responsáveis por elevar o patamar de um clube. Com raça e talento, transformaram o Internacional em internacional. Eles não se intimidam. Eles são ídolos. Sempre foram e sempre serão. Eles são vencedores. Ontem, apenas comprovaram isso.

É difícil apontar com toda a certeza quais são as causas dos fracassos colorados ao longo de 2011. O time atual conta com praticamente todos os jogadores que venceram a Libertadores no ano passado. Qualidade não falta. O Internacional é apontado por jornalista do centro do país como um dos melhores times do Brasil. Além disso, é possível perceber que, quando os jogadores querem, eles jogam, e muito. Resta questionar o poder de superação da equipe. Será que a conquista da Libertadores foi uma exceção à regra?

sábado, 5 de novembro de 2011

Pare e elogie



Não é vontade do blog fazer nenhum tipo de merchandising para a empresa que fez o video. Mas é uma iniciativa do Cotidianunca divulgar vídeos ou links de assuntos interessantes e que nos fariam pessoas melhores, como foi feito em um post anterior do discurso de uma criança em frente aos comandantes das maiores nações do planeta.

Em um mundo corrido, conectado 24h por dia, não custa parar alguns segundos, pessoalmente, e proferir algumas palavras, desde que sinceras, para um amigo, a namorada, o(a) companheiro(a) de anos de casamento, que abrilhantem e quebrem a rotina destas pessoas. Uma iniciativa, ainda que de uma empresa, que incentive essa postura precisa ser louvada.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Tenha um cachorro


Esses dias, estava pulando de livro em livro, atrás da citação correta, atrás de informações certas, e nem percebi o Zorro passando por baixo da minha perna recostada em um banco e deitando-se embaixo da minha escrivaninha. Sem que eu percebesse, isso tornou-se uma rotina que já não chama mais minha atenção. Ainda que o momento seja de concentração, é sempre bom estar acompanhado.

Fazem perto de seis meses que tenho um cão. Uma bela decisão, a de ter um. Hoje, é inimaginável pensar o movimento da casa sem que o Zorro esteja presente. Os mais céticos quanto à presença dele, meu pai e minha mãe, acabaram quem mais hoje mimam o cachorro.

Sem nenhuma dúvida, dá pra dizer que ter um cão aproximou a família, já que agora sempre tem algo pelo que conversar, se envolver, estar em volta. Além disso, a casa ficou muito mais divertida com a presença de alguém que não é racional nem segue padrões.

Se vocês estivessem em dúvida em relação a comprar ou adotar um cachorro, com certeza aconselharia a fazê-lo. Sempre que o dia está ruim, tenso, é só olhar pro animal, chamá-lo, e ele vem correndo e querendo carinho, balançando o rabo. Há sempre uma sensação de companhia que alivia a tensão no dia a dia.

Ademais, é bom para a saúde. Ter um cachorro, seja grande, pequeno ou médio, estimula as pessoas a saírem às ruas para caminhar. Passeio com o Zorro duas vezes por dia, e isso ajuda no meu humor e para desanuviar os pensamentos. Com o horário de verão, é uma boa pedida. Ganha-se saúde, amor, bom humor e uma pitada de carinho que dão sentido às horas complicadas da criação.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Enxergue o mundo com a pureza de uma criança



O vídeo foi gravado no início dos anos 90. Quase vinte anos se passaram. E algo mudou? Com certeza. Para pior!

Como não se arrepiar ao escutar o discurso de uma menina de doze anos, em meio a importantes governantes, falando a eles o que deve ser feito? Como não imaginar, após assistir ao vídeo acima, que o mundo pode ser um lugar muito melhor para se viver se cada um fizer a sua parte? Como aqueles indivíduos, presentes na conferência, puderam escutar as verdades puras de uma criança, virar as costas e seguir em seus governos podres, completamente inúteis e sem perspectiva de melhora?

Eu não sei. Encontrei essa relíquia em uma postagem no Facebook de um amigo meu. Acredito que tenho o dever de repassá-la. Acredito, também, que se você parou para refletir ao escutar essa menina falando, deve fazer o mesmo...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O ponto final: TCC, temor e a vida


Era primeiro ou segundo dia de aula quando escutei falar sobre isso pela primeira vez. Tava tudo tão longe que o aceno de mão debochado e as críticas foram evidentes quando se tocou no assunto. Mas a verdade é que o TCC desde então virou um “medo” para todos os estudantes do ensino superior. Cinquenta páginas que pareciam ser a coisa mais difícil do mundo de se parir.

Não me leve a mal. Não digo que é fácil concluir o trabalho, ou que não seja necessário um sofrimento, com sacrifícios do aluno. Noites em claro, leituras complicadas, preocupação. Às vezes uma pane frente a uma página em branco do Word. Insatisfação com o que as teclas criam(“porra, não era isso que eu queria dizer, que merda de teclado”). Tudo isso acontece, invariavelmente. Precisa acontecer, é um trabalho longo e árduo.

Há que se entender a aflição dos escribas. O ponto final da conclusão da monografia será o ponto final de uma era de alguns anos. Uma vida, ou um início de vida, que deixa cicatrizes profundas no caráter, na personalidade e nas relações do restante da vida. Deu pra entender? Uma nova vida dentro da vida. Enfim. O que fica é que o TCC significa muito mais que uma formatura. Significa o fim de uma etapa.

Então, tccianos, quando clicarem no quinto botão da segunda linha do teclado, sintam-se orgulhosos. Uma etapa de estudos sobre sua profissão se encerra neste momento. Uma etapa de sua vida se fecha junto com o “você deseja salvar as alterações neste arquivo?”. Vocês cresceram.

sábado, 29 de outubro de 2011

Não é a toga


Uma das roupas mais bizarras e desnecessárias já criadas pelo ser humano é vestida, semestralmente, por formandos ao redor do mundo. O babeiro branco, sobreposto a uma espécie de saiote preto que cobre o corpo inteiro, além da famosa gravatinha borboleta avulsa, compõe o traje. Eu, particularmente, sempre achei engraçado ou, no mínimo, peculiar, encontrar pessoas vestidas dessa maneira. Mas sempre reparei que elas não se importavam muito com isso. Achava estranho. Desde hoje, compreendo.

A verdade é que tudo isso vai muito além. Considerava que a tradição de uma formatura é o que sustentava todo o cerimonial. A partir do momento em que participei de uma simples sessão de fotos para o convite dos formandos, mudei completamente de perspectiva. Milhares de momentos brotam instantaneamente na mente. Foram cinco anos. E como aconteceram coisas nesse meio tempo. Talvez, mais coisas do que nos outros dezessete anos. Conheci pessoas diferentes, completamente diferentes, parecidas. Independente da relação que estabeleci com cada uma, convivi com elas e, mesmo que muitas vezes involuntariamente, aprendi muito com elas. E hoje, parte dessas pessoas estava lá.

As vivências de uma faculdade ultrapassam o limite dos estudos e disciplinas pendentes. É a partir desses momentos que o indivíduo cria ou consolida a sua personalidade, apresentando a mesma para a sociedade. Via estágio, via colegas, via professores, via apresentações, via palestras, via mundo real. A responsabilidade dos estudos pode até permanecer durante um tempo. Entretanto, paralelo ao amadurecimento, o dever começa a se transformar. A proximidade com o término do curso modifica completamente as prioridades e pensamentos. Agora, a grande meta não é mais a prova final ou a apresentação bem feita. Precisamos definir o que queremos ser e fazer pelo resto de nossas vidas. E será que precisamos?

Eu, sinceramente, ainda não sei. Tenho vinte e dois anos. Quantas coisas ainda podem acontecer? A vivência na faculdade me ensinou algo muito maior do que os valores e caminhos de uma profissão específica. Hoje, eu sei quem sou. Algo que não sabia quando pisei, pela primeira vez, em uma sala de graduação. Ao longo do caminho, professores e amigos fizeram com que eu acreditasse em minha capacidade. Isso não é puxa saquismo. Detesto pessoas que precisam disso para conquistar alguma coisa, se é que conquistam. Estou sendo apenas sincero.

Não faço ideia da relação que pode ser estabelecida entre as mudanças ocorridas comigo ao longo desses anos e o traje do século XVI que precisei utilizar durante quatro horas, de manhã cedo. Acredito que seja pelo fato de que, se eu tivesse vestido uma toga antes de entrar na faculdade, provavelmente ficaria envergonhado pelo resto da vida. Hoje, liguei um “foda-se”, ri da minha própria cara e até limpei a boca com o babeiro.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Elevadores


Acredito que seja uma das situações mais desconfortáveis que o indivíduo pode passar no decorrer do seu dia. Eu, pelo menos, tento evitar ao máximo entrar nesse recinto; ao menos com outras pessoas.

Não tenho medo de ficar preso. Apenas não consigo suportar a ideia de passar um tempo, por menor que seja, ao lado de uma pessoa, obrigatoriamente. Ela não tem nada a dizer para você. A recíproca, definitivamente, é verdadeira. Entretanto, para não parecer mal educado, ao menos quando eu estou no elevador, as pessoas começam a puxar conversa.

- Olá garoto!

- Oi.

- E essa chuva?

- Ruim né?

- Pois é.

Não tenho nada contra essas pequenas conversas. O sujeito, provavelmente de meia idade, simplesmente quer ser simpático. Mesmo assim, como não haverá um segundo tópico, a conversa dura cinco segundos. E o que fazemos no restante do tempo?

1) Olhamos incessantemente para a porta de saída do elevador, contando quantos andares faltam.

2) Se o elevador for de última geração, olhamos para a tela que vai mostrando em que andar você se encontra.

3) Lemos, atentamente, o recado do síndico (é a única forma de alguém se interessar pelos recados do síndico)

4) Mexemos em nossas coisas, fingindo procurar algo.

5) Fingimos que estamos enviando uma mensagem, sendo que os celulares não pegam em elevadores.

Qualquer uma das alternativas é tosca e não faz o menor sentido. Todos sabem que você não tem interesse em nada do que está fazendo. Mas acho que nada pode ser pior do que aquele silêncio agonizante, pós conversa completamente inútil. Na verdade, talvez uma única coisa: claustrofobia. Pobres claustrofóbicos...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O Gre-Nal que apequenou Porto Alegre

O início da tarde desta quinta-feira reservou uma notícia ruim para o povo gaúcho, para aqueles que gostam de esporte e futebol em especial. Não é a tragédia que estão pintando, mas é um desfalque grande na Copa do Mundo de 2014. Sim. Na Copa. Desde que foi anunciado que a competição seria realizada no Brasil, sabíamos que Porto Alegre não teria relevância, praticamente, no cenário nacional.

A Fifa divulgou que Porto Alegre fica com cinco jogos, quatro na fase de grupos e uma oitava de final. Ok, nada mais do que o esperado. O que pesou foi ficarmos sem a Copa das Confederações. Isso sim era esperado, isso sim fazia parte do pacote. Porque é isso, seria um pacote. A competição mais o Mundial trariam bastante gente ao país, se não torcedores, ao menos mídia, delegações, dirigentes, e essas pessoas consomem. Se hospedam. Gastam, o que é uma das justificativas para a realização de eventos dessa grandiosidade.

Sem essa primeira parte do “pacote”, o questionamento que fica é em relação aos investimentos feitos na cidade. Todos importantes, como o metrô ou a duplicação da Av. Beira-Rio. Todos necessários, claro, mas que com certeza contavam com um retorno que talvez não aconteça agora. O consumo em 2014 talvez pagaria, ao menos em parte, com impostos, o montante de recurso investidos na cidade. Todos sabemos que a situação financeira do RS não é boa, e que o investimento sem o retorno pode acabar deixando o cofre mais raspado ainda. É um medo que, espero, não se concretize.

Agora chegando ao ponto que queria: tudo isso foi direcionado devido a um Gre-Nal, um clássico burro. Foi a rivalidade doentia do Rio Grande do Sul que tirou Porto Alegre da Copa das Confederações. Concordo com uma declaração dada por Eduardo Antonini, presidente da Grêmio Empreendimentos, a Rádio Bandeirantes.

Para o dirigente, erraram os gestores públicos que não trabalharam com um ‘plano B’. Ele citou São Paulo, o qual não é o melhor exemplo, já que Lula fez pressão para sair o estádio do Corinthians e Ricardo Teixeira não engole o São Paulo, dono do Morumbi, que iria para a Copa.

Se a administração pública do RS, seja prefeito, governador ou deputados queria realmente o ‘pacote completo’, deveria ter trabalhado com mais de uma opção. Claro, ninguém imaginava que o Beira-Rio não estaria com as obras em andamento quase no fim de 2011. Mas não é o Inter o culpado por prejudicar Porto Alegre. Ao menos não completamente. Cuidou dos seus interesses. Os políticos, esses sim, negligenciaram os interesses da cidade e deixaram escorrer pelas mãos uma chance.

Senão vejamos. O Inter planeja um contrato longo, como o do Grêmio com a OAS, e quer se resguardar. Perfeito. Não é o clube gaúcho que precisa cuidar dos interesses do Estado, para isso serve a esfera pública. São governantes, são deputados, é o prefeito quem precisam fazer isso.

E só não foi feito por uma rivalidade. Os políticos que se apegaram de mais ao Beira-Rio, talvez por serem colorados, talvez por acreditar no bordão “Arena fantasma”. Depois de iniciadas as obras do novo estádio gremista, era só negociar com a Fifa e modificar a sede. O Inter ia ficar com cara de tacho, iria fazer um vexame, mas o Rio Grande do Sul não sairia prejudicado.

Ficamos no mesmo parâmetro que Bloemfontein, Pretória, Rustenberg. Péssimo, cidades quase inexistentes na África do Sul. É verdade que não temos apelo turístico perto das praias maravilhosas do Nordeste, mas o Gre-Nal apequenou Porto Alegre.