As sensações são diferentes. No antes, uma ansiedade por como vai ser a despedida, por como vai ser ficar longe do amigo, qual vai ser a reação do grupo. No durante, parece que nada mudou. Sinceramente, as primeiras semanas são as piores. Depois, é como se a pessoa se acostumasse a estar longe de um dos seus melhores amigos. Ledo engano. É quando ele chega que se percebe a falta que ele fazia, a falta que ele fazia ao grupo, que fazia à rotina.
Garanto que a maioria dos leitores já teve uma situação em suas vidas que algum amigo de longa data tenha se mudado, por um tempo ou definitivamente, para uma cidade longe. Aí, surgem aquelas grandes inverdades: “O que o amor construiu a distância não destrói” ou “Quem falou que para estar junto é preciso estar perto”. Besteira. A amizade é um sentimento que se renova a cada dia. Claro, não é só pessoalmente que isso pode acontecer. Computador, telefones e meios de comunicação em geral podem ajudar nesse processo. Mas nada é melhor do que o retorno da convivência.
Um grande amigo voltou para Porto Alegre esses dias, o que me motivou a tentar explorar esse assunto por aqui. Era algo que, sem que eu percebesse, faltava no dia a dia. Alguém que junta, alguém que soma. Só nesses quatro dias dele na cidade, já reuniu a galera de fé duas vezes. E vai continuar o fazendo.
O mais intrigante é o durante. Enquanto ficamos longe dos nossos amigos, sentimos a costumeira saudade, evidente. Mas a vida não para, não parece que há algo errado, que há algo faltando. Acho curioso que só percebemos o quanto tínhamos saudade quando o viajante retorna à terra natal. O processo se inverte e sentimos o passado. É se olharmos para trás que veremos as lacunas.
Mas é no presente que nos damos conta da importância dos amigos, e como eles mexem na nossa vida. É no presente que ficamos felizes com seus retornos, com suas presenças próximas de fato, com a possibilidade de se ter uma conversa franca ou simplesmente ir tomar uma cerveja. Que bom saber que eles vão, mas eles voltam.





