sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

The end

Conheci lugares milenares, reencontrei museus com acervos gigantescos e torres incrivelmente grandes.

Também me senti parte da história em meio a passeatas e protestos contra governos corruptos. Mas nada disso é único. Da mesma forma que eu, milhares de pessoas fotografam Monalisas e Coliseus. O famoso clichê. É maravilhoso ter a possibilidade de passar por todos esses lugares sobre os quais sempre estudei em minhas aulas de história. Mesmo assim, tantos indivíduos passam pelas mesmas situações...

O que torna uma viagem única são as pessoas com as quais trocamos experiências. E quando falo isso, não me refiro apenas aos conhecidos. Do vendedor de Kebab ao novo amigo, do amigo de infância ao recepcionista do albergue. Cada um, cumprindo um papel, fez a diferença em minha viagem. Fez com que eu refletisse, com que eu risse, com que eu me estressasse. Fez com que eu vivesse.

Finalizo essa experiência com uma frase que resume o grande aprendizado que tive durante esses 21 dias: "Its all about the people..."

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pelos meus ancestrais

O último dia trouxe fortes emoções de uma forma muito incomum. Não visitei a Torre Eiffel pela ultima vez ou me despedi das obras presentes no Louvre.

Queria fazer algo mais tranquilo após as interminaveis maratonas como típico turista. Resolvi conhecer o Marais, bairro tradicionalmente judaico de Paris. Depois de me habituar com as lojas e restaurantes tradicionalmente judaicos, procurei o memorial em homenagem ao holocausto...

Imaginava algo impactante, mas nada comparado ao que senti quando cheguei ao local. Em um monumento, o nome de todos os campos de concentração existentes ao longo da 2a Guerra Mundial. Em um bloco de parede gigante, todos os nomes dos franceses registrados mortos durante aqueles terríveis seis anos. 

Presenciar os meus dois sobrenomes marcados naquele bloco de concreto não foi nada fácil. Um deles se repetia em torno de vinte vezes. Imaginei como a minha família poderia ter sido maior. Quantos tios e primos deixei de conhecer, quantos jamais tiveram a oportunidade de existir.

Em um momento como esse há muito sofrimento, muita reflexão, mas apenas uma certeza: eu nunca deixarei que isso se repita. Sempre lembrarei a todos que o holocausto ainda é presente.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Entre o real e o imaginário

Hoje fui para a Disneylandia. O parque mais famoso do universo eh também bastante empolgante em sua versão Europa, com excessao, eh claro, das gigantescas filas. Mesmo assim, não foi o mundo de mickey que mais chamou minha atenção nesse dia.

Para ingressar ao parque era necessário pegar uma espécie de metro, conhecido aqui como RER, que leva as pessoas para o subúrbio de Paris. Desde a estação, tensão total. Um homem vomitou ao meu lado, provavelmente bêbado. Enquanto isso, inúmeros trabalhadores humildes esperavam o trem, assim como nos.

Batalhadores que, mesmo em um feriado francês, acordaram cedo para cumprirem os seus deveres. Confesso que me senti um pouco mal com a situação. Enquanto eu e meus amigos espetávamos, ansiosos, pela diversão proporcionada pela Disney, os outros indivíduos queriam apenas um pouco de descanso, uma vida um pouco mais tranqüila.

Eles também contribuem para tornar a França o país que eh, encantador para todos os turistas que o visitam. Acordei pensando em um mundo encantado, dormirei pensando em um mundo real.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Diversidades e afinidades em comum

Uma mistura de pluralismos e singularidades. A eurotrip definitivamente tem dessas coisas.

Os personagens que conheci, principalmente nos últimos três dias, começaram sem afinidade alguma comigo, como por exemplo Lee, o coreano. Dois argentinos estavam apenas por conhecer novas pessoas, assim como Lee. Em pouco tempo, um lugar visitado em comum e algumas cervejas transformam aquelas pessoas em grandes amigos, mesmo sem qualquer relação cultural e filosófica aparentes.

O quadro muda completamente quando trata-se de brasileiros. O Pais eh mundialmente conhecido pelo seu multiculturalismo. Mesmo assim, quando estamos longe de casa, somos todos apenas um. Nos ajudamos, conversamos durante horas, confiamos uns nos outros.

O auge da afinidade chega no momento em que encontramos pessoas com as mesmas origens que nós. No meu caso aconteceu quando, em uma igreja, descobri que os dois argentinos com os quais eu havia feito amizade, eram judeus engajados em suas comunidades, assim como eu.

Um mochilao nos coloca em situações inexplicaveis, intensas, empolgantes. Atraves dele, percebemos que podemos conviver com pessoas completamente diferentes de nos. Lembramos como eh bom sermos brasileiros. Descobrimos que, em lugares completamente diferentes daqueles em que vivemos, podem existir pessoas iguais a nós.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Um povo incrédulo

O povo conhecido pelo seu carisma e hospitalidade sentiu as revelações envolvendo a vida pessoal de seu principal líder. Silvio Berlusconi conseguiu modificar a tradição italiana em apenas quatro anos de governo.

Conversei hoje pela manhã com uma guia turística de Florença. Ela falou abertamente sobre as suas opiniões e sentimentos em relação à sua pátria. Primeiro, o desabafo sincero. "Eu nao me sinto hoje como uma cidadã italiana. Prefiro dizer para as pessoas que sou Florentina". A mulher, com cerca de 40 anos, justifica a sua frase logo a seguir. "Os escândalos sexuais ocorridos com Berlusconi fazem com que as pessoas daqui tenham vergonha de ser italianas".

Nas ruas, é possível reparar os semblantes, preocupados com a situação em que enfrentam. A economia italiana despencou nos últimos anos. "Berlusconi destruiu o país inteiro em apenas quatro anos. A economia está completamente destruda", contou a senhora.

Mesmo com tudo que está acontecendo, o povo conhecido por suas palavras sinceras e atitudes positivas, representado pela mulher com quem conversei, revela o seu desejo. "Eu espero que da próxima vez que você vier aqui, encontre uma Itália melhor..."

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Dimissioni Berlusconi

Tudo começou em uma pequena passeata, com cartazes cheios de frases de ordem pelos direitos da mulher italiana.

Quando olhamos para o lado, percebemos inúmeros senhores protestando pela dignidade ds idosos.

O barulho foi aumentando, mais pessoas se aproximavam. Os cartazes mostravam a foto de um senhor, que também esteve presente no noticiário brasileiro dos últimos meses.

O povo está cansado dos escândalos de Silvio Berlusconi. A onda gerada pela conquista da população egípcia já tomou conta da Itália, representada por uma de suas principais cidades, Florença.

Ao que tudo indica, mais um governo corrupto está prestes a ser derrubado pelas mãos do povo. E podem ter certeza, assim serah tambem em outros lugares.

Post escrito diretamente da Praça da República, em Florença!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Reencontro de amigos

Encontrar uma pessoa que não se vê há muito tempo eh bom. Encontrar um amigo após o mesmo período de tempo eh demais! Encontrar um dos seus melhores amigos na Europa, não tem preço...

Muitos podem dizer, depois de passarem por situações como essa, que o começo eh estranho, que a pessoa estah diferente. Isso ateh pode ter um lado de verdade, mas quando a amizade eh forte, daquelas para a vida, eh como se a pessoa nunca tivesse ido embora.

As mesmas piadas e conversas. Os mesmos comentários e formas de falar. Quando existe uma amizade eh forte o suficiente, não há cerimonia, as coisas simplesmente acontecem naturalmente..

Eh muito bom saber que existem esses amigos. Eh muito bom viajar com esses amigos.

Escrevendo diretamente de Veneza!

Apostas

Os cassinos podem ser lugares aconchegantes e divertidos. Pelo menos foi assim que me senti no famoso cassino de montecarlo, em Mônaco.

Quando jogamos por diversão, nos sentimos felizes quando saímos da mesa de apostas com um saldo negativo de dois euros e cinquenta centavos. Uma atracão como aquela vale esse gasto e ateh um pouco mais.

Entretanto, observando as pessoas ao meu lado, senti pena. Enquanto eu e meu amigo anderson nos divertiamos nos jogos em que ganhávamos miséria, com 50% de possibilidade de vitoria, observava as caras preocupadas e de decepção de outros jogadores. 

Uma senhora chamou minha atenção. Com um bolinho repleto de euros, iniciou suas jogadas com 75 euros de credito. Quando olhei novamente, seu saldo já era de 30 euros. Ela poderia ser absurdamente rica e esse dinheiro perdido poderia fazer tanta diferença para ela quanto os dois euros e cinquenta que perdemos. Mas também poderia fazer falta.

Eh muito fácil se viciar em jogos de aposta. Eles são apaixonantes e a sensação inicial de vitoria eh muito boa.  Quando deixam de ser uma diversão para se tornarem motivo de esperança, cuidado...

Após explorar a costa francesa, me encaminho agora para Veneza, Itália!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quando o certo eh incomum

Sabe aquelas cenas de filme em que os policiais chegam em um trem e prendem o vilão? Não? Talvez porque isso seja muito raro. Mas aconteceu, na minha frente, em um trem entre marseille e Nice.

Alguns jovens baderneiros entraram conosco e ficaram no mesmo vagão que nos. Escutando um rap em francês, cantarolavam e falavam alto. Eu e meus amigos decidimos trocar de vagão,  pois estávamos exaustos após quase 14 horas de viagem. Ateh aí tudo bem...

Alguns minutos depois, um deles chegou aos nossos novos assentos e perguntou se tínhamos isqueiro. Após a negativa, saiu praguejando em seu dialeto. Mais um tempo passou e começamos a sentir um cheiro de cigarro. Olhamos para frente e lá estava ele, com o tabaco entre os lábios.

Para quem não sabe, fumar dentro dos trens eh estritamente proibido. Não satisfeito com a primeira infração, o garoto, provavelmente menor de idade, voltou a importunar as pessoas. Dessa vez, os alvos foram uma garota francesa e outra garota espanhola que, por coincidência ou não, estavam nos bancos atras dos nossos.

De repente o trem parou. O garoto fugiu para trás, apreensivo. Alguns segundos depois, seis policiais, seguidos do fiscal do trem, foram atras do garoto. Uma longa conversa estendeu-se e, meia hora depois, o veiculo parou novamente.

Os policiais e o delinqüente desceram e continuaram com a conversa, de forma ainda mais intimidadora. O trem seguiu, sem as personagens...

Isso eh Europa? Isso eh o primeiro mundo? Para as duas respostas, sim. Mas, acima de tudo, isso eh o certo. Infelizmente, o certo eh raro...

Preconceito ou precaução?

Desconfiança eh comum em uma eurotrip. Nessa não poderia ser diferente...

Em um trem, entre Barcelona e montpelier, um sujeito de aparência estranha sentou ao nosso lado. Com um dente de prata, arranhou palavras incompreensiveis em francês. 

Após algumas mímicas, descobri que ele era argelino e queria saber se o trem passaria em montpelier, mas eu não tinha a informação e acabei largando um Je Ne se pá...

Ele nos abandonou em busca da tão preciosa informação. Voltou algum tempo depois, feliz, afirmando que estava no trem certo. Resolveu sentar ao nosso lado novamente, mesmo com o trem praticamente vazio. Apreensivos, percebíamos que ele observava todos os nossos movimentos. Quando falávamos montpelier, ele fazia uma intervenção, dizendo que sim, a melhor opção seria montpelier.

E foi assim durante 40 minutos, ateh que nosso novo amigo saiu para fumar um cigarro e recuperamos nosso território. Será que isso eh preconceito?provavelmente...

A relação com o argelino desencadeou um debate sobre preconceito, Oriente médio, Israel e palestina.

No fim das contas, independente do que tivesse sido, estávamos cansados, ansiando por um pouco de liberdade e privacidade para falarmos sobre o que quisermos.

Leis de viagens em grupo

Uma mistura de interesses e indecisões tomou conta da viagem. A concordância de quatro pessoas diferentes nunca acontecera em 100% dos casos.

 Entretanto, cada um tem desejos em particular que não estão de acordo com os interesses dos outros. Conflitos estilo big brother acabam acontecendo.

Acredito que, nesse momento, a individualidade de cada um precisa ser respeitada e incentivada. Fazer o que se tem vontade, mesmo que sozinho, para que no final todos curtam ao máximo.

Nada disso impede, em momento algum, que vivamos a viagem de nossas vidas. Acredito também que a nossa amizade se fortalecera ainda mais após essa experiência de vida!

Diretamente de montpelier, no meio do nada, esperando um trem para Nice!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Rica simplicidade

Um dia após rever tantos pontos turísticos, alem, eh claro, de conhecer a famosa vida noturna de Barcelona, uma situação, teoricamente secundaria, chamou minha atenção em  particular.

Quando estava descendo para pegar o metro em La Rambla, escutei uma música tradicional espanhola, com muitos curiosos em volta apreciando o som e se divertindo. Curioso também, fui ver o que estava acontecendo. Um grupo de senhores  tocava instrumentos e cantava, enquanto um outro grupo, também de velhinhos, tirava os espectadores para dançar.

Foi contagiante. Independente da idade, todos estavam curtindo aquele momento, celebrando a vida. Uma imagem bela e muito rara. Infelizmente a bateria da câmera havia acabado!

Amanha Nice, cidade ao Sul da Franca!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Reviva momentos marcantes!

A emoção de voltar a um lugar jamais imaginamos que um dia voltaríamos. Uma mistura de nostalgia com realidade, com viver aquele momento novamente.

Barcelona eh sensacional. Voltar para Barcelona não tem explicação...

Estive com o meu irmão mais velho há exatos dois anos. Alguns momentos marcaram tanto que, quando passei pelos locais hoje consegui enxerga-lo ao meu lado.

As ramblas permanecem fascinantes. E o parque guell? Bom, eh ele que esta me dando inspiração para escrever este texto, com a mesma touca utilizada pelo meu irmão em 2009.

Um conselho: reviva momentos especiais. A segunda vez será ainda mais intensa! 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Realidade diferente em aviões

O mundo esta definitivamente diferente. Os aviões podem servir como exemplo para essa afirmação. Um voo de quase 12 horas deveria ser incrivelmente cansativo. Não mais.

O entretenimento e a alimentação fornecidos pela empresa klm permitem que os passageiros sintam-se na sala de estar de suas casas. Filmes que acabaram de sair das salas de cinema e clássicos cinematográficos, os mais diversos jogos e ateh vídeos engraçados do youtube. Tudo em uma tela individual. Com um controle localizado no apoio do assento, eh possível acessar todas essas opções.

Comida de avião também perdeu o sentido pejorativo. Você pode escolher entre massa e frango, com acompanhamentos. Alem disso, para aqueles que apreciam cerveja, heineken ilimitada! Na madrugada, para finalizar, potinhos de sorvete...

O quesito conforto na hora de dormir ainda não evoluiu muito. Mesmo assim, com o número de opções oferecido, talvez seja  melhor ficar acordado e aproveitar as atracões.

Post escrito no avião, entre amsterdam e Barcelona!  

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dois lados de NYC


Incrível como uma cidade pode ter lugares tão diferentes. E olha que nem é uma cidade, falo de uma ilha. Apenas 6,5km separam as duas regiões, pouquíssimo perto da grande diferença que se apresenta visualmente. Sem mudar clima, cidade, estado ou povo, é a paisagem que transforma a vida.

Os prédios continuam lá. Mas em ‘downtown’, a diferença chama-se água. O rio torna-se mais próximo, dando um ar mais provincial à cidade. O fluxo de pessoas é incrivelmente menor, em um local tão bom ou melhor que o centro. A maioria dos turistas concentra-se na área mais famosa da cidade, e perde um pouco da vida normal da cidade.

Tudo isso faz com que o sul de Manhattan seja indescritivelmente delicioso de se caminhar. Os milhares de pessoas que passam diariamente pelo Times Square e pelas 5ª e 7ª Avenida fazem parte do cenário, claro, mas por vezes incomodam. Não poder atravessar a rua sem estar atento para não dar um encontrão em uma pessoa e ter que se espremer por dentro da massa por vezes irrita. No início da viagem é legal, impressiona, te deixa de olhos arregalados. Mais para o fim, você evita essas ruas.

O clima do sul de Nova Iorque reflete uma correria calma, por mais contraditório que isso seja. É lá que fica o centro financeiro da cidade, é lá onde ficavam as Torres Gêmeas, é lá onde está o Wall ST e a Bolsa de Valores. Tudo isso nos leva ao pensamento de que lá se corre muito, se trabalha muito e não se vive.

Pois é o contrário. Lá, onde estão os nova-iorquinos de fato, lá é que se vive. Caminha-se com tranquilidade e observa-se tudo com a avidez que se faz necessária. No centro, são tantas pessoas que as vezes a preocupação em se locomover e caminhar torna-se maior do que a de conhecer a cidade em seus detalhes.

Incrível como apenas poucos quilômetros reservam uma grata surpresa em Nova Iorque, e como isso acontece em todos os lugares do mundo. Minicidades lado a lado, criando um grande conglomerado de nichos, como nós mesmos somos no nosso interior.