Quando a maioria bocejava, olhava o relógio e se virava na cama para iniciar o segundo tempo do sono matinal de sábado, eu acordava. Claro, isso não é nenhuma crítica àqueles que dormem até tarde, é só para dizer que acordei cedo. Tomei banho e me preparei para ir com a minha namorada para a Feira do Livro, no centro de Porto Alegre. Chegamos lá ainda antes das barracas se abrirem, o que de certa forma foi bom, pois aproveitamos para ir na exposição da 8ª Bienal no Santander Cultural.
Curtir o Centro é uma das coisas mais prazerosas que um porto-alegrense pode ter. Ter a possibilidade de conviver com uma das áreas mais históricas da cidade em eventos culturais é um alento. Primeiro porque valoriza o local. Segundo, porque em um mundo em que cada vez menos texto é o caminho, frases curtas e conteúdo parco, uma mobilização que envolve milhares de pessoas por apenas um objetivo - o livro - é louvável.
Caminhar pela Praça da Alfândega lotada dá gosto. Ainda que o bairro não seja cuidado do modo que merece, é um belo programa a se fazer. Há bons lugares para se almoçar por lá, e as bancas estão à espera. Isso não nos faz esquecer que a prefeitura poderia investir um pouco mais em limpeza, iluminação e outros ganhos para o local, mas nos faz pensar em como aquilo seria lindo melhor arrumado.
Havia pessoas diferentes, idades diferentes, rendas diferentes. Todos lá, no entanto, atrás de um artigo que enriquece o ser humano: todos atrás de livros. Com R$ 64, levei para casa mais três livros. A Ágatha empacotou 4 por R$ 70. Um investimento, com certeza. O tempo ocioso que as tais redes sociais nos fazem ficarmos em frente ao computador poderia ser utilizado muito bem para acabar alguns volumes(esse texto trata de certa forma sobre isso http://edition.cnn.com/2011/10/30/opinion/greene-smart-phone-addiction/index.html). Vocabulário, estilo de escrita, informações, ideologias ou um lazer produtivo.. Tudo isso pode ser considerado ganho.
Por isso, peço do fundo do coração que depois de passar pelo ponto final deste texto, por pior que você possa ter achado ele, vá até sua estante, desligue o seu notebook e leia um pouco. Molhe o dedo com baba para passar as páginas, sinta a capa em relevo do livro. Pegue aquele livro que você não conseguiu acabar e recomece-o. Pelo bem da Feira do Livro e pelo bem do Centro.
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