
Em vinte minutos de bola rolando, 2 a 0 para o time adversário. Comandados pelo veterano Véron, os argentinos do Estudiantes de La Plata massacravam a equipe gaúcha. A torcida castelhana comemorava o êxito de seus guerreiros quando, de repente, em meio a muita fumaça (resultante dos fogos de artifício), eis que surge um garoto de dezenove anos. Giuliano chuta cruzado, garantido a vaga colorada para as semifinais da competição mais importante das Américas.
E foi assim até o final. Vitória sofrida em Porto Alegre, contra os galáticos do São Paulo. Classificação garantida na capital paulista em um lance de sorte, em que o ídolo D’alessandro cobra a falta, a bola bate no calcanhar do contestado Alecsandro, e entra. Na decisão, virada no México e em Porto Alegre. Superação e surgimento daquele, considerado por muitos jornalistas, como o melhor centroavante do Brasil. Leandro Damião arranca em velocidade, arrancando berros da torcida. Inter campeão da Libertadores 2010.
Como se lembrar dessa extraordinária conquista, depois do que foi visto ontem? Também não se pode colocar a culpa em apenas um jogo. Quanto a isso, a equipe já se encarregou de protagonizar outros vexames ao longo do ano. Grenal apático. Tudo bem.
Foi logo após a conquista da Recopa. A torcida perdoou e estava pronta para ver o time reagindo no Campeonato Brasileiro. A primeira grande bomba do ano, sem levar em consideração os desastrosos empates com Bahia e Atlético Goianiense, além da humilhante derrota para o Ceará, foi o jogo contra o Santos. Algum lunático ousaria dizer que, aos trinta minutos do segundo tempo, vencendo por 3 a 0, Beira Rio com um público razoável, o Inter conseguiria ceder o empate ao glorioso alvinegro praiano? Pois é. Aconteceu. Festa brutalmente interrompida. Em dez minutos, três gols.
Ás vezes, é melhor perder de uma vez, jogando mal. Assim, a torcida não cria expectativas e ilusões. Ao longo dos últimos jogos, aconteceu o oposto. Jogos bons contra Ceará, Figueirense e Coritiba. Jogos excelentes contra São Paulo e Corinthians. Gols perdidos de forma inacreditável. Chances reais de engrenagem na competição desperdiçadas de forma displicente. E será que foi displicência?
Ontem, tive que me fazer essa pergunta. Esse ano, mais do que nos outros, voltei completamente desapontado de grande parte dos jogos. A sensação de quase é muito pior do que a sensação de péssima atuação. E foram muitos “quases”. O grande problema, é que esse tipo de sentimento nos leva a acreditar no “dessa vez vai”. Não foi. Um Inter agressivo no início, simplesmente desistiu no final. Mesmo com o Beira Rio lotado, com a torcida cantando incessantemente, com a superioridade inicial. O Internacional assistiu ao time do Fluminense tocar a bola de um lado para o outro, durante quarenta e cinco minutos.
Os protagonistas da partida estão acostumados a jogar no estádio colorado. Edinho, Rafael Sóbis e Abel Braga foram responsáveis por elevar o patamar de um clube. Com raça e talento, transformaram o Internacional em internacional. Eles não se intimidam. Eles são ídolos. Sempre foram e sempre serão. Eles são vencedores. Ontem, apenas comprovaram isso.
É difícil apontar com toda a certeza quais são as causas dos fracassos colorados ao longo de 2011. O time atual conta com praticamente todos os jogadores que venceram a Libertadores no ano passado. Qualidade não falta. O Internacional é apontado por jornalista do centro do país como um dos melhores times do Brasil. Além disso, é possível perceber que, quando os jogadores querem, eles jogam, e muito. Resta questionar o poder de superação da equipe. Será que a conquista da Libertadores foi uma exceção à regra?
Oh Alemão, não desanima.
ResponderExcluirExistem momentos nos quais é melhor perder e acabar com a ilusão do "quase" que acaba ficando com aquele conjunto ridículo de empates.
Espero sinceramente que este ano sirva de lição, pois não adianta investir um monte de R$R$R$, errado.
Daniel.