O início da tarde desta quinta-feira reservou uma notícia ruim para o povo gaúcho, para aqueles que gostam de esporte e futebol em especial. Não é a tragédia que estão pintando, mas é um desfalque grande na Copa do Mundo de 2014. Sim. Na Copa. Desde que foi anunciado que a competição seria realizada no Brasil, sabíamos que Porto Alegre não teria relevância, praticamente, no cenário nacional.
A Fifa divulgou que Porto Alegre fica com cinco jogos, quatro na fase de grupos e uma oitava de final. Ok, nada mais do que o esperado. O que pesou foi ficarmos sem a Copa das Confederações. Isso sim era esperado, isso sim fazia parte do pacote. Porque é isso, seria um pacote. A competição mais o Mundial trariam bastante gente ao país, se não torcedores, ao menos mídia, delegações, dirigentes, e essas pessoas consomem. Se hospedam. Gastam, o que é uma das justificativas para a realização de eventos dessa grandiosidade.
Sem essa primeira parte do “pacote”, o questionamento que fica é em relação aos investimentos feitos na cidade. Todos importantes, como o metrô ou a duplicação da Av. Beira-Rio. Todos necessários, claro, mas que com certeza contavam com um retorno que talvez não aconteça agora. O consumo em 2014 talvez pagaria, ao menos em parte, com impostos, o montante de recurso investidos na cidade. Todos sabemos que a situação financeira do RS não é boa, e que o investimento sem o retorno pode acabar deixando o cofre mais raspado ainda. É um medo que, espero, não se concretize.
Agora chegando ao ponto que queria: tudo isso foi direcionado devido a um Gre-Nal, um clássico burro. Foi a rivalidade doentia do Rio Grande do Sul que tirou Porto Alegre da Copa das Confederações. Concordo com uma declaração dada por Eduardo Antonini, presidente da Grêmio Empreendimentos, a Rádio Bandeirantes.
Para o dirigente, erraram os gestores públicos que não trabalharam com um ‘plano B’. Ele citou São Paulo, o qual não é o melhor exemplo, já que Lula fez pressão para sair o estádio do Corinthians e Ricardo Teixeira não engole o São Paulo, dono do Morumbi, que iria para a Copa.
Se a administração pública do RS, seja prefeito, governador ou deputados queria realmente o ‘pacote completo’, deveria ter trabalhado com mais de uma opção. Claro, ninguém imaginava que o Beira-Rio não estaria com as obras em andamento quase no fim de 2011. Mas não é o Inter o culpado por prejudicar Porto Alegre. Ao menos não completamente. Cuidou dos seus interesses. Os políticos, esses sim, negligenciaram os interesses da cidade e deixaram escorrer pelas mãos uma chance.
Senão vejamos. O Inter planeja um contrato longo, como o do Grêmio com a OAS, e quer se resguardar. Perfeito. Não é o clube gaúcho que precisa cuidar dos interesses do Estado, para isso serve a esfera pública. São governantes, são deputados, é o prefeito quem precisam fazer isso.
E só não foi feito por uma rivalidade. Os políticos que se apegaram de mais ao Beira-Rio, talvez por serem colorados, talvez por acreditar no bordão “Arena fantasma”. Depois de iniciadas as obras do novo estádio gremista, era só negociar com a Fifa e modificar a sede. O Inter ia ficar com cara de tacho, iria fazer um vexame, mas o Rio Grande do Sul não sairia prejudicado.
Ficamos no mesmo parâmetro que Bloemfontein, Pretória, Rustenberg. Péssimo, cidades quase inexistentes na África do Sul. É verdade que não temos apelo turístico perto das praias maravilhosas do Nordeste, mas o Gre-Nal apequenou Porto Alegre.