Não sei se pelo tamanho da cidade, ou pelo tamanho do convidado. A questão é que Porto Alegre teve um dia para entrar que entrou para a história. O dia 7 de novembro ficará na memória de 53 mil pessoas e de uma cidade inteira como a Hard Days’ Night. Porque o dia foi difícil para as milhares de pessoas que chegaram pela manhã no Beira-Rio, que dormiram, acamparam e estiveram na fila desde cedo. No entanto, todas estavam satisfeitas e gratas. O dia seria difícil mesmo de esquecer.
O sol castigou, a organização também deixou um pouco a desejar em alguns momentos. Mas nada importava que não fosse o objetivo final das pessoas suadas, quentes e nervosas. Todos só esperavam entrar no estádio Beira-Rio e participar de um evento histórico na cidade.Nas suas vidas. Este é o assunto mais falado, o mais comentado, os videos mais veiculados ultimamente, e quem foi não se cansa de rever, quem não foi quer ver e rever.
Para muitos, a fila começou as 9h da manhã. Estavam lá milhares de pessoas com suas cadeiras, aquelas que levamos para a praia, ali no concreto. Divididas por portões, mas com uma paixão que unificava. Provavelmente o sol fazia a temperatura chegar aos 30º, e as sombras eram escassas. Os vendedores de sombrinhas e guarda-chuvas pipocavam de tocas que só eles sabem onde estão: "Sombrinha e guarda-chuva, 5 reais". Aproveitavam para fazer a oportunidade e ganhar uns trocados. Os vendedores de cerveja que trabalham lá no Beira em dia de jogos também estavam lá, em estandes da Skol. Garantiam que se o público estava com calor, a cerveja estaria gelada.
As pessoas não se importavam de estarem sofrendo, de serem mal informadas pelos orientadores, que traziam informações contraditórias em todos os momentos. Diziam não poder entrar com câmeras com zoom, algo impensável. Claro, eram só as profissionais. Diziam que o número do portão deveria bater com o do ingresso, quando na verdade era possível entrar em qualquer portão de seu setor. O que importa, de fato, é que as pessoas estavam lá felizes. Estavam lá, 12 horas antes do espetáculo, sem problema algum, porque queriam estar lá. Queriam presenciar o maior momento artístico de suas vidas.
Musicalmente, não há o que falar. O que se viu no Beira-Rio não se verá mais, nunca. Foi único, e nada mais chegará aos pés de um evento como esse. Em grandiosidade e em qualidade. Mas o que vale muito mais ressaltar é que o show vem mesmo de fora do palco, vem do público. O show que é enfrentar 10, 12 horas para adentrar o local que ficou eternizado para sempre. Os pés de um gênio da música pisaram ali. Mas 106 mil pés que pisavam no gramado, nas cadeiras, na arquibancada, também foram parte do espetáculo. Quando cantavam "Hey, Jude" e o artista só olhava. Ainda que eles esteja acostumado a isso, imagino que 53 mil pessoas cantando uma composição sua não deve ser algo que você vê e não se emociona.
A ideia não é tirar a atenção do ídolo com esse texto. Apenas lembrar que o público também é parte do show. Que os fãs, no fim, fazem de tudo por quem idolatram. O patamar que este Sir que tocou no Beira-Rio chegou faz com que possamos não escrever o nome dele em um texto uma só vez, e todos sabem de quem estamos falando. Coisas de gênio.
Coisas só dele.
Foi um dia pra não esquecer mesmo!
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