Por andar ocupado com a agradável função de escrever uma monografia, postarei um texto que escrevi dois dias após a conquista da Libertadores de 2010 pelo Sport Club Internacional. Claro, com alguns exageros. Mas torcedor sem exagero não pode ser classificado como torcedor.
Em cada dividida, em cada arrancada, em cada gol. Voltei para casa extenuado. Meus braços não se importavam com as milhares de vezes em que se movimentaram, para frente e para trás. Meu tornozelo, com um dos ligamentos rompidos, não se importou em pular, em vibrar com cada lance. A minha felicidade era infinitamente maior. A felicidade de um campeão.
A paixão que sinto pelo Internacional é diferente de tudo. Os momentos proporcionados por esse clube, em alegrias e tristezas, é algo que não se explica em palavras. Muitos podem pensar que é exagero. E desde quando amar alguma coisa exageradamente é ruim?
Eu estive lá, nervoso, o mais rápido que pude chegar. Trabalho? Naquele dia, não tinha como. Era uma mistura de nervosismo, ansiedade e ao mesmo tempo muita felicidade. Felicidade por viver aquilo, novamente. Aquela sensação indescritível. Aquilo foi aumentando conforme o tempo passava, até que consegui entrar. Pisei naquele concreto no qual já me ajoelhei, chorando de tristeza, chorando de emoção, chorando de felicidade. Atravessei toda a arquibancada inferior, até chegar à minha posição. Meio campo? Atacante? Zagueiro? Goleiro? Técnico? Tudo junto.
Comecei na Popular em 2008, em um jogo marcante. Foi a primeira vez que vi Giuliano em campo. Felizmente, naquela noite, ele saiu decepcionado. O Internacional precisava reverter uma situação complicada, pois havia perdido por 2 a 0 o primeiro jogo daquela Copa do Brasil, contra o Paraná de Giuliano. Pois bem. Começamos perdendo e algo sobrenatural aconteceu. A torcida cantou com o dobro de intensidade, empurrada por aquelas pessoas, localizadas atrás de uma das goleiras, com faixas e bandeiras. Com aquele apoio, o Internacional aplicou o histórico 5 a 1 e eu nunca mais deixei de ir naquele local. Eu me senti parte daquela virada.
Não me importava com o jogo jogado. Apenas acreditava que tinha a capacidade de motivar aqueles que estavam em campo. Queria que eles soubessem que eram capazes de vencer, de conquistar aquele título, que times da América inteira sonham em ter. Por isso, não me importei em ficar atrás de uma multidão, no primeiro andar da arquibancada. E todos ao meu redor também pensavam assim.
Gritei, pulei e berrei, sucessivamente, durante as três horas seguintes. Quando os mexicanos fizeram o primeiro gol da partida, continuei. Parei no intervalo, pensei e acreditei. Um garoto estava ao meu lado, desolado. Não o conhecia, mas me senti na obrigação de dizer: “acredita, a gente vai conseguir!”. Ele acreditou, todos acreditaram. Sem insegurança, sem “talvez”, sem “e se”. O Inter sairia do estádio com mais um título da Libertadores.
Sóbis tinha dificuldades. Estava longe de ser aquele alemão com quem os são paulinos têm pesadelos até hoje. Mas isso apenas pode ser constatado quando me refiro ao seu ritmo de jogo. A vontade de vencer era igual ou maior do que em 2006. E ele venceu. Venceu o zagueiro, venceu o goleiro e marcou o primeiro gol. Apenas vi Kleber colocar a bola na área. Depois, não vi mais nada. Abracei aquele garoto com quem havia conversado no intervalo. Choramos sentados na arquibancada, como boa parte dos colorados do mundo inteiro.
Leandro Damião começou a sua carreira na equipe profissional de forma promissora. Marcou dois gols logo em sua estreia. Entretanto, por não repetir as grandes atuações iniciais, perdeu a vez no time. Não havia participado efetivamente dos jogos da Copa Libertadores. O reserva imediato de Sóbis, teoricamente, era Everton. Teoricamente. Celso Roth, de quem ainda preciso falar, chamou o jovem atleta. Apostou nele. Damião entrou e, em uma arrancada incrível, marcou o segundo gol do Inter. Predestinado seria a palavra certa. Agradeceu aos céus com razão.
Giuliano. Um parágrafo seria pouco para falar de alguém que, em poucos meses, permitiu que eu e milhões de colorados vivêssemos novamente um sonho que, no começo do ano, parecia distante. Um garoto humilde, inteligente, craque. Marcou o terceiro gol colorado. Muita festa, muito orgulho de fazer parte daquele momento, muita felicidade.
Celso Roth. Podem pensar que estou mentindo, mas quem não deve não teme. Desde que o seu nome foi anunciado como novo treinador do Internacional, vibrei. Era o ingrediente que faltava no vestiário. Pode-se dizer que o diferencial desse título foi Celso Roth. Um pai com milhões de filhos, eternamente gratos a ele por ter feito com que os filhos mais habilidosos voltassem a acreditar em si próprios.
O jogo terminou e hoje, dois dias depois dessa conquista, a ficha ainda não caiu. Meu time é bicampeão do torneio mais importante de um continente. Meu time, novamente, batalhará pela conquista do mundo. Meu time faz com que eu não me canse de comemorar.
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