sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Os contrastes de Pernambuco

Porto de Galinhas e os subúrbios recifenses: com certeza, um bom exemplo das diferenças gritantes presentes em território pernambucano. Entretanto, há outras situações, mais sutis, mas igualmente preocupantes, envolvendo os cidadãos do estado nordestino.

Wagner Bernardo: garoto sorridente, morador de Olinda, cidade histórica, atração turística. Aos 10 anos, começou a trabalhar pela Associação dos Condutores Nativos de Olinda. Sua função: guiar os turistas pelos locais da cidade onde a história segue viva.

A inteligência do menino e a sua persistência impressionam. Ao perceber um veículo com placa de outra cidade, insiste em conversar com os turistas, que o ignoram e seguem o seu caminho até o próximo semáforo. Wagner acompanha, correndo. Tenta a comunicação novamente. Os turistas desistem, baixam o vidro e o garoto começa a sua aula de história.

Mar Hotel: localizado praticamente à beira mar de Recife, o hotel quatro estrelas recebeu uma convenção entre os dias 26 e 29 de agosto. Trezentos membros do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), hospedaram-se com o objetivo de discutirem a reforma urbana, escolherem seus novos líderes que comandarão o movimento nos próximos dois anos, e elegerem os representantes de Pernambuco no Congresso Nacional do partido, evento que acontecerá em Minas Gerais.

Os integrantes do MTST usufruíram dos luxos do hotel durante os quatro dias. Os gastos foram patrocinados pelo Ministério das Cidades. Entre uma passeata e outra, uma palestra e outra, podiam-se observar os participantes na piscina, nas mesas de sinuca e em seus aposentos, descansando. Em plena quinta-feira.
Wagner, assim como os idealistas, é de origem humilde. Hoje, aos 13 anos, divide a sua vida entre os estudos e o trabalho. Metade do que ganha, 25 a 30 reais por grupo de turistas, contribui para as despesas de sua família. A outra metade é direcionada para a associação em que trabalha.

Os membros do MTST organizam convenções e passeatas. Presenteados com os quatro dias de estada em um lugar luxuoso, frequentado pela alta sociedade, os sem-tetos vivem a utopia de que a bandeira da reforma urbana possa garantir a eles um lugar como aquele para morar. Enquanto esse dia não chega, o pequeno Wagner corre atrás dos turistas para ganhar algum dinheiro, real, e ajudar na sobrevivência de sua família.




2 comentários:

  1. cara, q absurdo esse texto.

    Concordo contigo, pobre nao pode se reunir em hoteis de luxo, só ricos. Aonde já se viu? pobre achando q é gente. Tudo isso é culpa do Lula! Lugar de pobre é sair do movimento sem teto e se contentar com uma vida nos casebres das favelas brasileiras com sua estrutura compatível com o nivel de humanidade dessas "pessoas"!


    Achei esse paralelo q tu criaste entre a realidade do menino trabalhador e a utopia dos vagabundos q sonham em ser milhonários as custas do lula muito inteligente mesmo. li uma coisa parecida na Veja, uma revista genial como o senhor.

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  2. isso só pode ter sido irônico

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