sábado, 30 de outubro de 2010

Manga: um ídolo com seu devido valor


O blog CotidiaNUNCA já abordou uma questão bastante importante: a relevância dos mais anciãos na nossa sociedade. Há outra classe, bastante importante no Brasil, especialmente, mas que não recebe a devida atenção: os ídolos.

Me dou ao luxo de escrever na primeira pessoa. Hoje tive a oportunidade, ainda que para outro compromisso profissional, de conhecer o ex-goleiro Manga. Bicampeão brasileiro pelo Internacional em 75/76, Manguita é um gênio das traves. Fez defesas elásticas, imortalizadas graças a Deus(ou Chateaubriand) por imagens televisivas(clique aqui, aqui e aqui.). Tive a oportunidade de encostar nos dedos quebrados e tortos de um ícone do esporte. Ele é o exemplo vivo de como os ídolos precisam ser tratados, ainda que tardiamente.

Manga jogou em clubes como Internacional, Grêmio, Botafogo, Nacional e Barcelona de Guayaquil. Grandes clubes, um grande jogador, grandes títulos. Manguita foi campeão uruguaio, equatoriano, brasileiro, da Copa Libertadores e do Mundial. Parou de jogar já nos seus 44 anos, no Equador. Suas mãos tortas rumaram para os Estados Unidos, e depois voltaram para o Equador, para trabalhar. Foi ele que treinou e descobriu Cevallos, goleiro da LDU que defendeu os pênaltis do Fluminense na final da Liberta de 2008.

Hoje, o grande ídolo trabalha no Internacional. Hoje, ele carrega a marca do Inter em eventos no Interior gaúcho, jantares dos Consulados para sócios e não-sócios. O Colorado convidou-o para voltar ao Brasil, voltar a vestir o vermelho que tanto vestiu, voltar para casa. Melhor citar suas próprias palavras: “ Me convidaram para vir trabalhar aqui. Não tinha como dizer não, aí voltei ”.

O que podemos concluir de uma declaração como essa? Com certeza, podemos dizer que os ídolos apenas esperam um convite. Apenas esperam o que o Inter fez, que relevou a passagem de Manga pelo Grêmio, e o chamou para ser um dos símbolos do clube. Queria colocar o rosto do arqueiro ao lado do S, C e I entrelaçados, e conseguiu. Por que não fazer isso com mais pessoas?

Sabemos que há um grupo de pessoas que tem uma profissão efêmera. Esportistas, principalmente, mas sem excluir outras. Temos que utilizar suas habilidades para otimizar nossa “produção” de atletas de alto nível, mas também para melhor a situação de milhões de pessoas, porque é inegável o papel social do esporte. E todos ganham: a sociedade, o ídolo e pessoas sem nenhuma perspectiva na vida.

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