quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O relato de quem foi ajudar o Rio de Janeiro


*JOANA AMORIM, ESPECIAL

Éramos três pessoas vindas da cidade do Rio de Janeiro, três voluntários, com uma médica entre nós. Em comum a vontade de ajudar, uma ambulância carregada de remédios, alimentos, água mineral e roupas. Partimos com destino a Nova Friburgo, a cidade mais devastada pelas chuvas.

Na estrada, o que se via eram carros identificados de voluntários, caminhões e vans cheios de doações. Isso mostra um crescimento na consciência solidária da população, o que nos deixou muito contentes. Afinal, o povo brasileiro unido em prol de uma causa nobre é realmente algo lindo de se ver.

Chegando na cidade, a primeira sensação é de olhos lacrimejantes e nariz coçando, afinal, o que mais se vê na cidade é poeira. A maioria das pessoas, isso para não dizer todas, usam máscaras. Quando falo isso, você pode imaginar do guarda de trânsito até as crianças na rua.

Primeira parada foi em um posto que recebe as doações no centro da cidade. Fomos muito bem recebidos pelo pessoal do corpo de bombeiros do RJ. A simpatia típica do carioca na hora de ajudar estava presente. Tiramos as doações da ambulância e separamos tudo no posto.

Sentamos no chão do posto de doações para ajudar na separação dos medicamentos, conforme o princípio ativo de auxiliar o pessoal a separar o que, para eles, não seria útil por lá. Dali saem os medicamentos que vão para os hospitais e centros de atendimento aos desabrigados.

Depois do trabalho, os voluntários nos convidaram para almoçarmos junto com eles. Uma comidinha honesta: strogonoff, arroz e batata palha, com coca-cola. Enquanto isso, o papo foi sobre a situação da cidade e fomos perguntando onde poderíamos ser úteis.

Após o almoço, como “cachorros magros”, partimos com destino a prefeitura da cidade com o objetivo de tentar encontrar um local onde a ambulância e os voluntários (nós) pudessem ajudar.
Informaram-nos um hospital, porém, quando chegamos lá, a decepção. Existiam várias ambulâncias iguais a nossa. Conversamos com o pessoal e eles disseram que tinham ajuda suficiente já para o final de semana.

Por isso, decidimos dar uma volta pela cidade, falamos com comerciantes da região, fomos extremamente bem tratados, o pessoal está muito preocupado, pois os clientes sumiram. Estão oferecendo descontos ótimos e a estrada não oferece mais riscos. Entretanto, vimos algumas cenas que foram chocantes, como um morro que desabou sobre duas casas e as pessoas estavam por perto limpando o local com funcionários que deveriam ser da prefeitura e um caminhão retirando entulhos. Nessa situação, pensamos: tantas vezes reclamamos tendo tudo o que precisamos. Imagine como é a vida para essas pessoas?

A ida para Nova Friburgo não serviu para ajudar diretamente como havíamos planejado, mas fizemos a nossa parte entregando as doações, principalmente os remédios. A saúde das pessoas fragilizadas da cidade será uma preocupação para o país nos próximos meses. A cidade está debaixo de muita poeira. Que Deus proteja as vias respiratórias dessas pessoas! E que elas tenham força pra colocar suas vidas no lugar.

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