terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Um dia de Chuva

Em dia de chuva, não são apenas as nuvens que ficam mais cinzas. Parece que cada pessoa que enxergamos na rua está com uma espécie de fumaça acima da cabeça. Ninguém que mora em uma cidade industrial é feliz quando está chovendo, com exceção daqueles que não precisam sair de casa. Nesse caso, não existe nada melhor do que o barulho da chuva caindo.

Não recrimino a infelicidade momentânea dos cidadãos durante este dia. Entretanto, não deixem de ser cidadãos por isso. Os únicos culpados por estes fenômenos climáticos desproporcionais são os próprios fenômenos climáticos. Está certo que também temos a nossa parcela de culpa. O aquecimento global existe em grande parte por nossa falta de consciência. Mas este é um assunto muito complexo para ser tratado em um texto sobre os obstáculos gerados por um dia de chuva.

Os ônibus lotados com cheiro de pano molhado transformam as pessoas. Parece que todos buscam um culpado para ser descontado pela situação desagradável. Aquele infeliz está em pé está impedindo a minha passagem de propósito. Não porque os ônibus comportam a metade do número de indivíduos presentes naquele momento dentro do veículo. Ele está ali, impedindo a minha passagem, apenas para atrapalhar a minha vida, que já não é boa!

Não agüento mais esse trânsito. Também, olha quem está na minha frente! Um velho que não sabe mais dirigir, um jovem que deve ter comprado a carteira, uma mulher que também não sabe dirigir, um careca por ser careca. Não importa quem está na frente. Ele sempre será o grande culpado pelo engarrafamento.

As situações descritas acima parecem absurdas, mas são reais e acontecem com todos nós. Procuramos sempre um culpado e, muitas vezes, nossos vilões são tão vítimas quanto nós.

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