quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Do que PoA precisa? Eu digo luz.

Um pensamento antigo e uma campanha de um conhecido talentosíssimo, o publicitário Luciano Braga, me instigaram a escrever sobre o assunto. A ação do Shoot the Shit, que ainda tem Gabriel Gomes e Giovani Groff, pergunta para a população portoalegrense o que a cidade precisa.

Já estive em dois lugares do mundo que são considerados por mim dois dos melhores lugares para se viver e que poderiam levar o rótulo de ‘cosmopolita’. Barcelona e Cidade do Cabo, duas cidades litorâneas e portuárias, esta segunda característica compartilhada por Porto Alegre. Duas cidades que tem intensa vida, mesmo com a escuridão reinando. Em Barcelona, as Ramblas se enchem de jovens para aproveitarem a noite movimentada. Na Cidade do Cabo, o mesmo. Ambas tinham pessoas na rua andando até altas horas, mesmo no centro, geralmente os lugares perigosos da maioria das cidades brasileiras.

Há diversas coisas que tememos quando somos crianças. A gama é infindável e depende de cada indivíduo. Mas o que acontece com quase todas: o pedido para que na hora de adormecer, alguma luz, nem que seja mínima, um facho entrando pela porta, ilumine o quarto. Ninguém gosta da escuridão. Ninguém fica confortável no breu. Dizem que temos crianças dentro de nós mesmo quando somos os adultos que trabalham e têm preocupações. Pois essa criança deve continuar com o medo do escuro.

Pois então, que se iluminem as ruas. Que a prefeitura, o governo do estado, a câmara de vereadores ou a população se mexam. Porto Alegre é escura pós -18h. O inverno gaúcho nos dá muitas coisas boas, nos dá o vinho, nos dá a boa companhia no frio, nos dá uma gama de opções de passeios pelo interior, mas nos tira o sol muito cedo. É só comparar um dia do gélido inverno, ou mesmo da primavera, com o horário de verão às 19h30, que será latente a quantidade de pessoas caminhando, praticando esportes, convivendo com a cidade.

A iluminação da cidade nos tiraria, talvez, um pouco do receio de insegurança que temos. Claro que há a insegurança de fato, mas muito da nossa ausência nas ruas ao cair da noite pode se dar porque imaginamos que dos becos escuros, das esquinas sem luz, das ruas no breu sairá alguém para nos fazer algum mal. Com o caminho visível, a barreira do medo pode desabar. E nós tomemos às ruas da escuridão, dona hoje.

Não são luzes que vão resolver o problema portoalegrense. Falta segurança, falta infraestrutura, falta transporte, falta o projeto do Cais sair do papel, falta um monte de coisa. Mas eles podem resolver o nosso problema; poderia diminuir a nossa sensação de insegurança. A consequência disso seria a Porto Alegre povoada também de noite. Povoada por gente que não teria medo de caminhar e curtir o que Porto Alegre tem de bom.

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