O alarme está programado para despertar as sete horas da manhã. Após o apelo para a função “soneca”, responsável por ceder mais cinco minutos de sono, três vezes seguidas, o indivíduo finalmente desperta. Banho e rádio combinam. A consciência e a preocupação com o horário destacam-se em meio a uma mistura de sons e informações.
O café da manhã, se esse nome pode ser utilizado para caracterizar meia dúzia de bolachas e um copo d’água, ainda está sendo digerido quando, faltando seis minutos para o início da aula, o ser chega até a parada de ônibus. A chuva dramatiza ainda mais o cenário. Por sorte, se é que isso pode ser considerado sorte, três minutos depois o ônibus ingressa na parada; lotado. Cálculos invadem a mente. O professor fará a chamada as oito horas e quinze minutos, pontualmente. O trajeto percorrido é de quatorze minutos em um dia de sol. Não vai dar...
Oito e vinte. O horário registrado na roleta em que a carteirinha é passada gera uma nova preocupação. A chamada está perdida. São quatro créditos. Três aulas dessa disciplina, pelos mais diversos motivos, já não foram assistidas. O limite é de quatro faltas. Ninguém quer chegar ao limite no começo de outubro...
Os professores têm tolerância. A falta pode ser discutida. Entretanto, é preciso encontrar a brecha. Um movimento errado pode representar a permanência da letra F ao lado do nome. As instruções para o exercício do dia já foram dadas. O momento parece perfeito. Parece...
- Professor, a chamada já foi feita?
- Foi sim...mas agora estou corrigindo alguns textos. Me procura depois, ok?
Pedir presença uma vez já representa o retrato do desespero. Além de assumir um erro, confirma a irresponsabilidade e a falta de comprometimento. Ainda mais quando é a quarta vez, apenas
- Gustavo, acabei de te dar presença.
Após uma hora de devaneios, escrevendo este texto, inclusive, o indivíduo pode finalmente começar o seu exercício.
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